Empatia, como utilizar esse comportamento?

Como aplicar a empatia de forma prática? Certamente essa é uma pergunta que você já se fez quando recebeu um feedback de que necessitava ser mais empático, não é? Se você não se identifica com isso, quero te falar “Parabéns!”, mas a realidade é: entender os motivos e razões que geraram uma determinada ação por outra pessoa é um desafio constante. 

Antes de falar de empatia vamos alinhar o seu significado. A palavra empatia vem do grego pela junção de EN + PATHOS significando “em emoção” ou “em sentimento”. A primeira vez que o termo foi utilizado data do século XX pelo filósofo Theodor Lipps para indicar a relação entre o artista e o espectador que projeta a si mesmo na obra de arte. Com isso o termo se desdobrou em diferentes vertentes, assumindo a capacidade afetiva e cognitiva de buscar interagir percebendo a situação sendo vivida por outra pessoa. Como olhamos a situação e entendemos as emoções envolvidas na decisão pelo ponto de vista da pessoa que agiu e não de nossa própria percepção.

Podemos resumir que a empatia é a arte de colocarmo-nos no lugar do outro e, por fim, entender como ele agiu. A teoria de como ser empáticos é relativamente simples e todos conseguem entender o significado. Porém, o grande ponto de reflexão é como praticarmos isso na vida real e sem máscaras.

A empatia assume diversas personas errôneas no dia a dia e, com isso, disfarçamos comportamentos menos adequados através de uma capacidade extremamente nobre. Muitas vezes, por exemplo, ela vem vestida de vitimismo, afinal, quantas vezes nos colocamos no lugar do outro justificando suas ações por suas condições e passado? Ou, por vezes assumida de forma bem disfarçada de arrogância, afinal ele fez isso por não enxergar a história completa, e assumimos que somos detentores da visão e sabedoria do fato ocorrido. Ainda, existe o disfarce com base no julgamento, pois só fez isso porque pensa diferente, ou seja, lá qual for a desculpa, e por isso assumimos que a nossa régua é a medida correta. É realmente difícil ser empático, sem agir por dó, por querer ser bondoso, ou mesmo para um julgamento bem mascarado.

Esta reflexão sempre me acompanhou, até uma bela noite em que fomos jantar. Estávamos a caminho do restaurante quando o sinal fechou. Pelo retrovisor havia um caminhão bem impaciente. Ao abrir e sinalizar que poderíamos cruzar, certamente não conseguimos ultrapassar a avenida que cortava a nossa frente, sendo necessário mais uma espera pelo próximo sinal verde. Entretanto a faixa em que estava o caminhoneiro andou mais rápido e, por instinto, ele buzinou várias vezes avisando para que ninguém entrasse na sua frente, e com isso ele cruzou a avenida. 

Minha percepção foi de que a buzina era apenas um alerta, pois o caminhão já estava em movimento para cruzar a avenida com tal empenho que, por consciência de possível dano, era melhor ninguém atravessar a sua frente. Ao confirmar isso, julguei dizendo em voz baixa: “Só por que é grande não quer nem saber de quem está na frente…”. Neste mesmo momento, minha esposa disse: “Que cara louco, isso pode gerar um acidente bem fácil”.

Do banco de trás, ouço minha filha de apenas sete anos: “Acho que ele estava atrasado, né Mãe?”. A cara de duvida de nós dois era tão óbvia que nem precisamos perguntar o que ela estava dizendo, e ela já completou: “É, ele buzinou para ninguém entrar na frente dele senão iria se atrasar mais ainda”. “É verdade filha” respondi e fomos jantar.

Após algumas horas me lembrei disso, e a pergunta de empatia retornou para minha reflexão. Certamente é extremamente simples, mas não significa que seja fácil. A prática da Empatia exige o esforço de tirarmos o julgamento e maldade frequentemente utilizado, mesmo de forma despretensiosa, e explicarmos como o outro agiu com o olhar de uma criança. Sem preconceitos, sem julgamentos, apenas com uma fala sem maldade do porquê aquilo ocorreu.

E você, como pratica a empatia em seu dia?